A partir de sombreamentos, originou-se o avião mais imponente do mundo, de maquetes, os mais espantosos monumentos arquitetônicos; Brasília, dentre cerrado de clima desértico, terra vermelha, constituída de uma diversidade cultural de raças e culturas, é o real plural brasileiro. Apesar dessa utopia idealizada por Juscelino Kubitscheck, é possível dizer que ela tem sua identidade? Pesquisadores sugerem que, para estabelecer uma cultura numa cidade, com língua, crenças, comportamentos, valores e costumes, é preciso trabalhar nessa formação por meio século, mas, será que Brasília chegou nessa idade com esse conceito? Afinal, o que é ser brasiliense?Bem, o que eu sei é, nossos ascendentes de matriz africana acertaram em cheio na descrição; “vilão, ruim, ordinário”, porém, estereotipando ou não: dizem que é a cidade dos políticos, das mentiras, das falsidades, dos antissociais, dos frios e dos concurseiros. Você pode estar se perguntando o que um recifense, radicado brasiliense, e que vive no entorno de Brasília tem a dizer a respeito da cidade futurística de três pessoas, mas, Brasília mostra que a sua personalidade austera não impediu que os sentimentos, a arte da cidade e os romances se desenvolvessem e, esse indivíduo, aqui, é a prova viva disso.Como nem tudo são como contemplar ipês roxos entre junho e setembro, ou ir ao Calaf (o ápice da juventude cerratense), Aquilo que os Candangos regurgitam vai além do espelho de modernidade e arquitetura arrojada, é tudo aquilo que representa a decadência brasiliense, juntamente de devaneios e relacionamentos tóxicos nesse momento de era da informação retratado em poesias, é o manifesto do verdadeiro coração brasiliense.